Geração Z

Geração z

Geração Z

Nascidos numa altura em que os tablets e os smartphones foram os seus brinquedos favoritos, a geração Z é autodidata, criativa, empreendedora e independente.

Geração z

A geração Z são as pessoas que nasceram entre os anos de 1994 a 2010, o que em Portugal significa 2,7 milhões de jovens. Entre as suas principais características comportamentais estão: não perdem tempo, vão atrás dos seus objetivos e reivindicam o seu lugar no mundo.

Segundo o estudo realizado pela Atrevia em parceria com a Deusto Business School, escola de negócios da Universidade Deusto de Madrid, a principal preocupação social entre os jovens portugueses está relacionada com a educação. Eles exigem uma educação mais digital, prática e adequada aos requisitos do mercado. E, ao não conseguirem encontrá-la no próprio país, acabam por procurar noutros lugares, como é o caso do Reino Unido. As “terras de sua majestade” são o principal destino dos estudantes portugueses. Segundo dados divulgados pelo UCAS em 2017 (Universities & Colleges Admissions Service), enquanto na maioria dos países da União Europeia o interesse em estudar no Reino Unido caiu, em Portugal o interesse aumentou 45%, em comparação a 2015.

“Uma das principais razões para os estudantes irem estudar para o Reino Unido é por desejarem um ensino mais adequado ao mercado de trabalho. Lá encontram uma extensa e diversificada lista de cursos; os estudantes têm uma carga horária escolar mais reduzida, trabalhos mais práticos e muitas das estruturas das universidades proporcionam experiências como se já estivessem a trabalhar”, afirma Raimundo de Sousa, General Manager da OK Estudante.

André Silva, 23 anos, está a tirar um mestrado em Forensic Science na Anglia Ruskin University, em Cambridge. Decidiu embarcar para o Reino Unido porque dentro da área que deseja seguir, Portugal ainda não está desenvolvido e já sabia que no Reino Unido a realidade do ensino era completamente diferente.

“Temos uma sala específica na universidade somente para investigar crimes”.  Apesar de terem exames teóricos, a maioria é prático, como no dia em que um dos testes foi fazer uma examinação à cena do crime. “O professor distribuiu todo o material necessário e entregou-nos casos diferentes para investigarmos e analisarmos as evidências. Tudo com muita proximidade com a realidade. Com certeza neste dia aprendemos mais do que em qualquer exame teórico”.

A mudança do André para o Reino Unido decorreu em janeiro do ano passado e a adaptação foi como ele imaginou, nenhum bicho de sete cabeças. “No meu curso há muito mais europeus do que propriamente britânicos, então desde logo senti que não estava sozinho. Os professores também são próximos, ajudam nos projetos, sugerem ideias e até dão dicas de sites e empresas para procurarmos emprego”.

Tecnologia nas salas de aula

Todas as mudanças que a tecnologia traz é um desafio para as outras gerações que não nasceram neste sistema e o desafio ainda é maior para os professores de hoje em dia. Numa altura onde o Google é a fonte mais rápida de informação e os livros físicos estão a ser deixados de lado, os professores também estão a mudar a dinâmica das aulas, e algumas escolas estão a ser modernizadas, incluindo quadros interativos e pesquisas na internet durante a aula.

Ramiro Sousa, professor da escola D Joäo II, Setúbal, afirma que “hoje em dia temos sempre que continuar a estudar com cursos e atualizações e assim conquistamos cada vez uma maior adaptabilidade para estarmos a par do que fazemos”.  O professor conta que, em geral, os professores utilizam a internet na sala de aula para confirmar alguma informação e para pesquisas, mas ressalta que é preciso saber a veracidade dessas informações. “Todos os sites que enviamos aos estudantes são previamente verificados, tanto em relação à informação quanto à origem”.

A reclamação dos estudantes em relação ao ensino é uma realidade. De acordo com a pesquisa, 49,7% dos entrevistados da geração Z consideram o investimento na educação como uma medida prioritária para combater a estagnação do país.

“Em Portugal estão a ser realizados projetos que repensam o formato da educação, mas percebe-se que no ensino pouca coisa mudou e são demasiado teóricos. Os estudantes gostam do ensino mais pró-ativo e se eles não encontram cá, vão procurar noutros lugares, como o Reino Unido”, comenta o professor.

O grande interesse dos estudantes por um ensino mais prático e por diferentes experiências de vida explica os números da OK Estudante. Desde o início, já encaminhou mais de 4.500 estudantes portugueses para universidades do Reino Unido com as propinas 100% financiadas pelo governo britânico.

“A cada ano que passa percebemos que os jovens estão cada vez mais interessados em estudar no Reino Unido e acreditamos que as principais razões estão relacionadas com o desejo de encontrarem um ensino que os prepare realmente para o mercado de trabalho; criarem uma networking internacional, conhecendo pessoas de todos os cantos do mundo; e para serem fluentes na língua inglesa”, explica Raimundo.

 

Novos empreendedores

De acordo com o estudo, para 52% dos jovens da geração Z, o seu emprego ideal passa por construir a sua própria empresa ou trabalhar por conta própria. Outro ponto deste estudo confirma que 68,2% dão prioridade à conciliação do trabalho com a vida pessoal. Com isso, somente 24,6% pretende ser assalariados numa empresa privada e 9,3% numa função pública.

A principal razão para este comportamento é que eles querem colocar em marcha as suas próprias ideias. Além disso acreditam em empresas com menos hierarquia, como as startups.

João Godinho, foi para o Reino Unido através da OK Estudante e fez o curso de Media Production na Southampton Solent University. Ele conta que está a participar na produção de um longa metragem de momento e paralelamente abriu o seu próprio negócio nesta área.  “No momento é uma empresa de filmagens de casamentos, mas estou a expandir. Concluímos o primeiro produto há pouco tempo. Hoje em dia sinto-me à vontade para chegar a qualquer empresa e oferecer os meus serviços com a garantia da melhor qualidade a nível global e algum background próprio e visível”, conta.

Apesar de gostar da ideia de ter um horário mais flexível e poder pôr em prática as suas ideias, João lembra que há que ter responsabilidades e que é necessário cumprir os prazos dos clientes. “Há também que saber traçar os nossos limites, existem muitos obstáculos, mas cabe-me a mim e aos meus colegas aprender e ultrapassá-los”, conclui.

Os jovens da geração Z não querem viver para o trabalho como a geração x, nem ser tão sonhadores quanto a geração y, eles desejam ser o equilíbrio entre a experiência e a responsabilidade.

Share this post